Lipedema: O que é, Sintomas e o Papel Essencial da Nutrição no Tratamento
- Nutri Juliana Gonçalves

- 12 de set. de 2025
- 5 min de leitura

Você já ouviu falar em Lipedema? Essa condição crônica, muitas vezes subestimada e confundida com obesidade ou linfedema, é, na verdade, uma doença específica do tecido adiposo (gordura) e conectivo. Por ainda ser pouco conhecida, o Lipedema é muitas vezes confundido com obesidade ou linfedema. No entanto, trata-se de uma doença do tecido adiposo e conectivo, que acomete principalmente mulheres e pode causar dor, inchaço, alteração da marcha e grande impacto na qualidade de vida.
Estima-se que 1 em cada 10 mulheres adultas no Brasil viva com lipedema – mas a maioria segue sem diagnóstico, justamente porque os sinais nem sempre são reconhecidos.
Neste artigo, vou te explicar o que é o lipedema, quais são seus tipos, como diferenciá-lo da obesidade e quais os caminhos do tratamento – especialmente o papel da nutrição.
O que é Lipedema?
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional e doloroso de gordura, geralmente em pernas e braços, de forma bilateral e simétrica. Essa gordura para de forma abrupta no tornozelo ou no punho, como se fosse um "garrote".
Alguns sinais e sintomas comuns:
Sensação de pressão, peso ou tensão nas pernas.
Edema (inchaço), principalmente em membros inferiores.
Nódulos de gordura palpáveis e visíveis.
Hematomas espontâneos.
Dificuldade em perder gordura localizada, mesmo com dieta e exercícios.
Vale destacar: mãos, pés, tronco, pescoço e cabeça não são afetados pelo lipedema.

Tipos de Lipedema
Existem diferentes formas de apresentação da doença. Os tipos mais comuns são:
Tipo 1 – Quadris e nádegas.
Tipo 2 – Até os joelhos.
Tipo 3 – Até os tornozelos (um dos mais frequentes).
Tipo 4 – Braços.
Tipo 5 – Pernas abaixo dos joelhos.

Causas e fatores de risco
A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas já se sabe que o estrogênio desempenha papel importante no início e progressão do lipedema. Por isso, muitas mulheres percebem o surgimento ou agravamento da doença em momentos de flutuação hormonal, como:
Puberdade
Início do uso de anticoncepcionais
Gestação
Menopausa
O histórico familiar também é um fator de risco importante, sugerindo influência genética.
A vida com Lipedema: impacto físico e emocional
Viver com lipedema vai muito além da questão estética. Muitas mulheres relatam alterações na pele, dores articulares, fraqueza muscular e até dificuldade para se movimentar. Esses fatores acabam prejudicando a circulação, sobrecarregam o sistema linfático e favorecem o inchaço nas pernas e braços, além de dificultar a adesão a um programa de exercícios físicos.
Além das limitações físicas, o lipedema também traz um peso emocional. A doença pode gerar baixa autoestima e insegurança, especialmente em uma sociedade que valoriza padrões de beleza irreais. Uma pesquisa realizada no Reino Unido com mulheres com lipedema mostrou dados preocupantes:
95% tinham dificuldade para encontrar roupas adequadas.
60% relataram vida social limitada.
50% disseram que a vida sexual foi impactada.
40% acreditam que poderiam ter seguido outra carreira profissional se não fosse o lipedema.
Outro ponto doloroso é perceber que, mesmo com dietas restritas ou exercícios intensos, muitas vezes a paciente não observa resultados. Essa resistência pode levar à frustração, ansiedade, alteração da imagem corporal e, em alguns casos, até à depressão.
Por isso, o lipedema deve ser visto não apenas como uma questão física, mas como uma condição que afeta a qualidade de vida de forma ampla, exigindo cuidado multidisciplinar, acolhimento e estratégias individualizadas.
Lipedema x Obesidade: como diferenciar?
Embora possam coexistir, lipedema e obesidade são condições diferentes.
🔹 Obesidade
A gordura acumula principalmente no tronco e abdome.
Não está associada a dor localizada.
Responde bem a mudanças no estilo de vida.
🔹 Lipedema
A gordura se acumula em pernas e/ou braços, de forma simétrica.
Está associada a dor, hematomas e sensação de peso.
É resistente à dieta, exercício e até mesmo à cirurgia bariátrica.
Outra diferença importante é em relação ao linfedema, que afeta mãos e pés, é geralmente assimétrico e melhora com elevação dos membros – ao contrário do lipedema.
Tratamento do Lipedema
Atualmente, o diagnóstico é clínico, feito por médico com base na anamnese e exame físico. Ainda não há um exame específico para confirmar o lipedema.
O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo médico, fisioterapeuta, nutricionista e, em alguns casos, cirurgião, com o o objetivo de reduzir sintomas, melhorar a mobilidade e evitar a progressão da doença.
As principais abordagens incluem:
Controle do peso corporal (quando há obesidade associada).
Acompanhamento nutricional, essencial para manejo da inflamação e da composição corporal.
Fisioterapia e exercícios para fortalecimento e melhora da marcha.
Drenagem linfática manual e terapia compressiva, que ajudam no alívio do inchaço e dor.
Dieta para Lipedema: Como a Alimentação Correta Pode Ajudar no Manejo da Doença
É fundamental entender desde o início: a nutrição, por si só, não cura o Lipedema, mas é uma peça chave no quebra-cabeça do tratamento! Uma alimentação estratégica pode ter um impacto gigantesco na sua qualidade de vida, no controle da dor, do inchaço e de muitos outros sintomas que te incomodam.
As diretrizes internacionais destacam diferentes estratégias, mas há consenso sobre alguns pontos:
✅ Evitar dietas da moda e de curto prazo – o ideal é uma mudança sustentável do padrão alimentar.
✅ Manter peso saudável – pois o excesso de gordura corporal pode agravar os sintomas.
✅ Foco em alimentos anti-inflamatórios – padrão mediterrâneo ou plant-based, com ênfase em frutas, verduras, legumes, leguminosas, oleaginosas e peixes.
✅ Controle de picos glicêmicos – reduzir excesso de açúcares e ultraprocessados para evitar flutuações de insulina, que podem agravar inflamação e retenção de líquidos.
✅ Boa ingestão de proteínas – para preservar massa muscular e favorecer o metabolismo.
Dietas como a cetogênica e a anti-inflamatória têm sido estudadas e mostram resultados promissores na redução de dor e melhora da composição corporal, mas ainda faltam pesquisas de maior qualidade para confirmar os benefícios a longo prazo.
Conclusão: por que procurar uma Nutricionista para Lipedema?
O lipedema é uma condição real, frequente e que pode impactar não só o corpo, mas também o bem-estar emocional e social da mulher.
O acompanhamento com uma nutricionista especializada em lipedema ajuda a encontrar um plano alimentar que respeite suas necessidades, reduza sintomas e contribua para mais saúde e qualidade de vida.
✨ Se você se identificou com os sinais do lipedema, não precisa passar por isso sozinha. Agende sua consulta individualizada comigo, Juliana de Abreu Gonçalves, Nutricionista, e vamos juntas construir estratégias personalizadas para o seu caso.



Comentários